Entenda o que é a PEC 37, o
perigo que ela significa para a sociedade e a campanha a favor
Publicado
em 17 de junho de 2013 às 10:55
hs.
Está
marcada para o dia 26 de junho a deliberação do Plenário da Câmara dos
Deputados a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 37. A proposição confere
às Polícias Federal e Civis dos Estados e Distrito Federal a exclusividade do
poder de investigação criminal.
Se
aprovada, e isto os seus defensores omitem, não é só o Ministério Público
perderá sua função investigatória, mas também a Receita Federal, Banco Central,
Tribunais de Contas da União e dos Estados, Controladoria-Geral da União,
dentre outras. Essas instituições serão impedidas de realizar investigações, em
caráter de colaboração e complementaridade à polícia para combater a
criminalidade no país.
Imagine o
Brasil sem as investigações que iniciaram no Ministério Público e acabaram por
revelar ao país graves crimes cometidos por agentes públicos – políticos ou
gestores. A PEC 37 além de mutilar a instituição, incapacita a sociedade
brasileira de um enfrentamento mais adequado à corrupção e à impunidade.
Mas como
esperar que o gado faça uma lei estimulando o consumo de carne bovina? Em 2001, num curso na FGV do
Rio, discutíamos exatamente os limites e o poder investigatório do MP. Tinha
como colega um ex-governador de Roraima. Político astuto, escolado, de
probidade questionada pelo Ministério Público e profundo conhecedor das
práticas políticas brasileiras, ele costumava nos mostrar o lado real e impraticável
da teoria, até romântica, que aprendíamos no curso de Administração Pública.
Mas ele também costumava não fazer os trabalhos de dupla – que geralmente eram
feitos por mim, mas ele os apresentava comigo.
Foi assim
com o trabalho sobre o MP e quando chegou a vez dele ler o que eu havia escrito
em favor dos poderes investigatórios, iniciou-se um intenso debate diante da
classe – povoada por petistas que na época não estavam no poder e defendiam
ferrenhamente os poderes do MP -, e de pelo menos dois professores. A discussão
além de revelar a autoria do trabalho (eu), explica bem a campanha de hoje pela
aprovação da PEC 37. Pressionado por mim que estava intransigente na defesa do
MP, ele soltou esta: “você defende, filhinha,
porque você não é passível de ser investigada. Eu sou”.
Publicado por Adriana Vandoni | Permalink.

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