Católicos
se concentram em bairros nobres Estadão - conteúdo -Por Rodrigo Burgarelli e José Roberto de Toledo | Estadão
Conteúdo – 22 horas atrás
Católicos se
concentram em bairros nobres de São PauloSão Paulo pode até ter nome de santo,
mas ser católico na capital paulista já deixou há muito de ser unanimidade.
Atualmente, há bairros na zona leste que têm até 12 vezes mais evangélicos do
que distritos em áreas mais ricas, proporcionalmente. O líder nesse quesito é
Lajeado, no extremo leste - lá, um em cada três moradores se declarou
evangélico.
Os dados fazem parte de estudo do Ibope
em parceria com o Estadão Dados, com base nos questionários detalhados do Censo
2010. O levantamento integra a série 96xSP, que traz reportagens sobre temas
como migração e deslocamento nos 96 distritos da capital.
O mapa das religiões em São Paulo
mostra que não há nenhum distrito em que os fiéis da Igreja Católica não sejam
maioria. Apesar disso, o número de católicos por evangélicos varia bastante
entre as regiões da cidade. Ele é maior justamente nos bairros mais ricos, como
Morumbi, Itaim e Alto de Pinheiros. O líder é o Jardim Paulista, onde há 12
católicos para cada evangélico. Essa proporção diminui conforme se afasta dos
bairros nobres.
O extremo da zona leste concentra menos
católicos do que qualquer outra área da capital, mesmo tendo níveis de renda
similares a distritos das zonas sul e norte. A menor taxa é de Lajeado, onde há
quase 1 evangélico para cada católico. A explicação, segundo especialistas,
está na distribuição histórica dos templos religiosos em São Paulo.
"A zona leste, a partir da Avenida
Celso Garcia, tem uma tradição antiga de igrejas evangélicas. A primeira igreja
pentecostal de São Paulo é a Congregação Cristã do Brasil, no Brás. Ela foi
fundada por italianos, mas já na década de 1950 parte dos milhares de
nordestinos que vinham para São Paulo ocupar os bairros mais ao leste dessa
área já frequentava esses cultos", explica o professor emérito de
Antropologia da USP, João Baptista Borges Pereira.
Segundo ele, as igrejas pentecostais e
neopentecostais são especialmente atraentes para imigrantes de menor renda
porque foram mais bem-sucedidas em atrair esse público, tanto por seu discurso
de prosperidade quanto por sua importância como referência social para os
recém-chegados.
"O pentecostalismo é uma religião urbana, ligada ao modo de vida
capitalista e ao trabalhador assalariado", complementa o professor de
Teologia da PUC-SP, Edin Sued. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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